Uma incógnita: o futuro das crianças especiais

02/06/2011

*Crônica escrita em 4 de maio por Mário Morgan, pai do aluno Augusto, para o jornal O Tempo – gannmorg@yahoo.com.br

Mário e Augusto

Nosso aprendizado, com relação à criação de nosso filho com necessidades especiais, está sendo de aceitação, aliada à mudança de nossa rotina. Vítima de uma síndrome desconhecida, sem diagnóstico conclusivo, ele luta, diariamente, pela dignidade em sua vida. Confesso que nossa vida é repleta de emoções, semelhante à de outros pais que vivem em situação similar.

Escrevi um livro, “Reinventar a Vida”, contando essa nossa experiência. A maioria de nossas dúvidas é comum aos pais dessas outras crianças. Uma questão bastante incômoda diz respeito às nossas reflexões em relação ao futuro. Projetamos nossas inquietações e imaginações, como os maus-tratos e as rejeições em consequência de suas vulnerabilidades. E ainda os desapontamentos, as tristezas, a solidão e a infelicidade.

O futuro se torna um enorme desafio que passa a nos assombrar. O que será deles quando morrermos? Quem cuidará deles? Serão colocados em instituições? Nossos outros filhos os acolherão? Enxergamos esses nossos filhos como pessoas vulneráveis, com capacidade e compreensão limitadas.

Fico emocionado só em pensar em meu filho sem a nossa presença. Hoje, a fim de publicar um segundo livro, buscando respostas para tais questionamentos, procuro os familiares de crianças com necessidades especiais que queiram contribuir com seus testemunhos e experiências. A questão é: cuidar e se responsabilizar por esses entes queridos especiais após a partida de seus pais.